terça-feira, agosto 24, 2010

Uma veste provavelmente azul.



de: Caio Fernando Abreu.

Eu estava ali sem nenhum plano imediato quando vi dois homemzinhos verdes correndo sobre o tapete. Um deles retirou do bolso um minúsculo lenço e passou-o na testa. Pensei então que o lenço era eito de finíssimos fios e que eles deviam ser hábeis tecelões. Ao mesmo tempo lembrei também que necessitava de uma longa veste: uma muito longa veste provavelmente azul. Não foi dificil subjugá-los e obrigá-los a tecerem para mim. Trouxeram suas famílias e levaram milênios nesse trabalho. Catástrofes incríveis: emaranhavam-se nos fios, sufocavam no meio do pano, as agulhas os apunhalavam. Inúmeras gerações se sucederam. Nascendo, tecendo e morrendo. Enquanto isso, minha mão direita pousava ameaçadora sobre suas cabeças.

fragmento IV.

Nesse instante surgiu uma certa crise de consciência. E se o problema realmente fosse o fato de eu ocupar um enorme espaço na relação, bloqueando algumas das suas energias, canalizando-as para acompanhar meus projetos, combater meus adversários e se interessar pelos meus amigos?
(...)
Hoje os termos do sonho se alteraram. Os novos caminhos continuam sendo fascinantes, a viagem prosegue sendo o melhor antídoto contra o tédio e a repetição. É enorme a quantidade de paisagens e eventos inéditos que desfilam diante de nós, isso para não mencionar o principal: as novas pessoas que esperam por trás de cada montanha, no cais de cada porto, nas ruas de cada cidade.

fragmento III.

Por incrível que isso possa parecer, era difícil intregar-se ao amor quando se imaginava ter todas as respostas para o desenvolvimento do mundo, passagem da pré-história para a história, do reino da necessidade para o da opulência, das condições para a harmonia, de Estado para a ausência de política.
As questões de poder também estavam presentes nas relações amorosas.
(...)
A maneira como se termina uma convivência cotidiana pode ser decisiva para o começo da outra. Às vezes perdemos na separação a energia e o brilho de que necessitamos para encontrar uma nova pessoa.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Os dragões não conhecem o paraíso.

"(...) Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pantanal de antes, cheio de possibilidades – que não aconteciam, mas que importa? – a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada."
(C.F.)

fragmento II.

Cada milímetro de avanço na liberdade individual fora conquistado no choque com a sólida moral planetária, até que os adversários se renderam cansados e os avanços já não se mediam mais por milímetros, eram passos quilométricos, os adversários deixando inclusive de seer um ponto de referência.
(...)
Quando a sensação do perigo se faz mais forte, foi um corre-corre na economia para a filosofia, da filosofia para a antropologia, uma busca desesperada ao encontro de algo que explicasse melhor o enigma do passado, deslindasse o labirinto do presente e apontasse os contornos de um incerto futuro.
Qual, amigo. Sigo buscando até hoje.
(...)

fragmento I.

Um de nós poderia estar se afastando perigosamente da teia de afinidades que nos unia. Talvez, no fundo de mim, intuía que meu rumo era mais para o lado da natureza e da cultura brasileira coomo ponto de referência; temia que você caísse para o lado das invenções das grandes metrópoles e de uma visão absolutamente cosmopolita (...)

domingo, agosto 22, 2010

sem-graça.

eu.
pateticamente sem-graça.

quarta-feira, julho 07, 2010

dúvida:

Segunda-Grata-Surpresa.

Primeira:Um mônoda urbanóide, depois que chega em casa e corre para o computador: tarefa que inicia qualquer tarefa – ele visita um fórum virtual sobre cinema & filmes, e se depara com um filme especial que não esperava.
Segunda: Cá fundinho em mim penso que finalmente encontrei o tema para o mestrado.

*












Terceira?
Este é o 100º post.
:)

quinta-feira, junho 17, 2010

pós-modernidade.

preciso de um chapeu.








































ssa palavra tem acento? nem sem mais.























































aliás: na duvida: não acentue. HAHA





















































dúvida tem acento. *Dú(u)vida*

sábado, janeiro 16, 2010

clarice.

"(...) outro sinal de se estar em caminho certo é o de não ficar aflita por não entender, a atitude deve ser: não se perde por esperar, não se perde por não entender.
Então comecei uma listinha de sentimentos dos quais não sei o nome. Se recebo um presente dado com carinho por uma pessoa de quem não gosto - como se chama o que sinto? A saudade que se tem de pessoa de quem a gente não gosta mais, essa mágoa e esse rancor - como se chama? Estar ocupada - e de repente parar por ter sido tomada por uma súbita desocupação desanuviadora e beata, como se a luz de milagre tivesse entrado na sala: como se chama o que se sentiu?"
*Lispector em "A descoberta do mundo".

segunda-feira, janeiro 04, 2010

2010.

na cidade: deus solto
e eu de bicicleta muito louco

domingo, junho 28, 2009

retorno.

vou voltar. tem acontecido umas coisas malucas.
vou analisar todos os caminhos, o que tiver mais coração eu vou.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

sexta-feira, setembro 12, 2008

02.

Ele vinha de encontro a Ela e no olhar per passava desejo. Ela, meio enfurecida cruzou oceanos, destruiu muralhas... E àquela noite, encontrava-se trépida, inteira e uma chama. Os corpos se encontraram quando Mercúrio estava em Áries – talvez tudo isso tivesse uma explicação astrológica. Sim.

Depressa a boca encontrou a outra. Depressa a respiração foi pressentida mutuamente de uma certeza de todas as coisas. Depressa o membro enrijecia-se. Depressa a profecia estava concretizada.

*

Enfim. – Há várias espécies de cicuta, e geralmente o desatino encontra oportunidade de pôr nos lábios do espírito livre um cálice desse veneno – para “puni-lo”, como diz depois o mundo inteiro. O que fazem então as mulheres à sua volta? Elas gritam e se lamentam, perturbando talvez o descanso crepuscular do pensador: tal como fizeram na prisão de Atenas: “Ó Críton, manda alguém levar para fora essas mulheres!” – falou Sócrates enfim.
[NIETZSCHE, Friedrich. Humano, Demasiado Humano)

terça-feira, setembro 09, 2008

pontos de aniversário.

"(...) como uma novela sobre dois parceiros incompatíveis continuamente em guerra por um fiapo do território do outro, e que, no entanto, não conseguem superar sua fascinação fatal um pelo outro, e decidem, sempre uma vez mais, depois de dolorosa separação, restabelecer a relação?"
*
O sujeito burguês precisa de algum Outro para assegurar-se de que seus poderes e propriedades são mais que alucinógenos, que suas atividades têm sentido porque se desenvolvem num mundo objetivo compartilhado.
*
"Eu sei que eu sou livre porque eu me pego agindo dessa maneira com o canto dos olhos".

quinta-feira, agosto 28, 2008

o dia.


eu acho que uma lembrança legal que fica depois dos anos acadêmicos é aquele lance quando você descobre que estudar na biblioteca é uma coisa legal. assim, de alguma maneira ficar e almoçar no r.u. e depois ir para a biblioteca é uma tarefa produtiva. nem que seja para dormir, mas é. hehe
*
na volta eu estava com uma estória na cabeça meio ficção. uma literatura...

terça-feira, agosto 26, 2008

opa.


eu tenho um monte de coisa pra fazer.

retrato: peticov - magical mistery trip.

é bonito não é? queria saber se é real. é, não é?
whwh

sexta-feira, abril 25, 2008

m23:

a "in"-evolução vai passando por viés que muitas vezes não esperávamos. talvez seja uma maneira de caracterizar o "espanto" típico em contextos, por exemplo, do nascimento da filosofia na antiga Grécia. desde esse tempo até aqui têm surgido instantes conseqüentemente ímpares, e que se não estivermos abertos ao que está posto no mundo e ao mundo, podem muitas vezes passarem despercebidos.

é triste pensar assim.

o que fica é a incomensurável questão do humano.

sábado, março 15, 2008

da teoria possível do amor.

charlie diz:
você ama o amor enquanto possibilidade de amar.
charlie diz:
assim, você precisa de um objeto pra que torne aquele amor realidade.
charlie diz:
daí essa dependência.
charlie diz:
a verdade estaria na honestidade desse sentimento.

...